Agosto Dourado: entenda a importância da amamentação para mãe e bebê
Durante o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, a importância da amamentação volta ao centro das discussões.
Embora seus benefícios sejam amplamente reconhecidos, muitas famílias ainda
enfrentam dificuldades, inseguranças e informações equivocadas ao longo desse
período.
Para a fonoaudióloga Marina Rodrigues Bueno Macri, coordenadora do Serviço de
Fonoaudiologia do Hospital Angelina Caron (HAC), amamentar é um processo natural,
mas que pode exigir aprendizado, acolhimento e suporte qualificado.
Benefícios para o bebê e para a mãe
O leite materno é considerado o alimento ideal para o bebê, fornecendo os nutrientes
necessários nos primeiros seis meses de vida, além de anticorpos e fatores
imunológicos que auxiliam na proteção contra infecções e outras doenças.
Sob a perspectiva da Fonoaudiologia, o aleitamento também favorece o
desenvolvimento do sistema estomatognático e das funções de sucção, deglutição,
mastigação e respiração, com reflexos também no desenvolvimento da fala.
Para a mãe, os benefícios também são importantes. A amamentação fortalece o
vínculo com o bebê, auxilia na recuperação pós-parto e está associada à redução do
risco de câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e doenças
cardiovasculares.
A recomendação é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de vida.
Depois desse período, a introdução alimentar passa a complementar a alimentação,
mas o leite materno continua benéfico. Por isso, a orientação é manter a
amamentação até os dois anos ou mais.
Livre demanda e pega correta fazem diferença
Entre os fatores que contribuem para uma amamentação adequada estão a livre
demanda, a pega correta e o contato pele a pele. A livre demanda respeita os sinais de
fome e saciedade do bebê e também estimula a produção de leite.
Já a pega adequada favorece uma sucção eficiente, reduz a ocorrência de dor e
fissuras mamilares e melhora a qualidade da mamada. O contato pele a pele, por sua
vez, favorece o início precoce da amamentação e fortalece o vínculo entre mãe e bebê.
Nesse processo, o acompanhamento profissional pode ser importante. O
fonoaudiólogo pode avaliar as funções orais do recém-nascido, a coordenação entre
sucção, deglutição e respiração e orientar sobre posicionamento e pega, contribuindo
para uma amamentação mais segura e eficaz.
“Leite fraco” é um dos principais mitos
Dor, fissuras mamilares, ingurgitamento, dificuldades na pega e insegurança quanto à
produção de leite estão entre os desafios que podem surgir durante o aleitamento.
Segundo Marina, um dos mitos mais comuns é a ideia de que existe “leite fraco”. Na
grande maioria das situações, porém, o leite materno apresenta composição adequada
às necessidades do bebê.
Outro equívoco é interpretar todo choro como sinal de fome. O bebê pode chorar por
diferentes motivos, e a avaliação de outros sinais ajuda a compreender suas
necessidades.
Cuidados com o leite ordenhado
Para as mães que precisam extrair o leite, alguns cuidados são importantes. A ordenha
deve ser feita com higiene adequada das mãos e das mamas, utilizando recipientes
apropriados.
O leite deve ser identificado com a data e o horário da coleta e armazenado de acordo
com as orientações da equipe de saúde ou do Banco de Leite Humano.
A ordenha também pode ser uma estratégia importante para mães que retornam ao
trabalho, permitindo a manutenção do aleitamento durante o período de ausência.
Quando há produção excedente e a mãe deseja doar, a orientação é procurar um
Banco de Leite Humano, que realiza os procedimentos necessários, como a
pasteurização, para garantir a segurança do leite destinado a outros recém-nascidos.
Quando buscar ajuda
A orientação profissional deve ser procurada diante de dor persistente durante as
mamadas, fissuras, ingurgitamento, dificuldade na pega ou dúvidas relacionadas à
produção de leite.
Também é importante buscar ajuda quando o bebê apresenta dificuldade para sugar
ou mamar ou não está ganhando peso adequadamente.
A intervenção precoce pode ajudar a prevenir complicações e reduzir o risco de
desmame precoce. Postos de Saúde, profissionais capacitados e Bancos de Leite
Humano podem oferecer orientação e suporte às famílias.
“Amamentar é muito mais do que alimentar. É promover saúde, fortalecer vínculos e
favorecer o desenvolvimento integral da criança”, reforça a especialista.
Quando mãe e bebê recebem orientação qualificada desde os primeiros dias de vida,
lembra, aumentam significativamente as chances de uma amamentação bem-
sucedida.
“Apoiar o aleitamento materno é investir na saúde das futuras gerações”,
conclui Marina.