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Trombose não acontece só em viagens longas: cirurgia e internação também exigem prevenção

Por Comunicação · 28/10/2026

Imobilidade, procedimentos de grande porte e algumas condições clínicas podem aumentar o risco de trombose. Dr. Filipe Caron explica como esse risco é avaliado e quais medidas ajudam na prevenção dentro e fora do hospital

Quando se fala em trombose, muita gente pensa imediatamente em viagens longas de avião ou carro. A associação existe por um motivo: permanecer muitas horas sem movimentar as pernas reduz o fluxo sanguíneo. Mas esse mesmo mecanismo ajuda a explicar por que pacientes internados ou submetidos a determinadas cirurgias também precisam de atenção.

A trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nos membros inferiores. O problema pode evoluir para uma embolia pulmonar se parte desse coágulo se desprender e chegar aos pulmões. Juntas, as duas condições são chamadas de tromboembolismo venoso.

Segundo o Ministério da Saúde, imobilidade prolongada e cirurgias estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da trombose.

“Dentro do hospital, não avaliamos apenas o procedimento que será realizado. É preciso considerar por quanto tempo o paciente ficará com a mobilidade reduzida, sua idade, histórico de trombose, doenças associadas e outras características clínicas. É a combinação desses fatores que ajuda a definir o risco”, explica Dr. Filipe Caron, do Hospital Angelina Caron.

Por que cirurgia e internação aumentam o risco de trombose?

O movimento dos músculos das pernas ajuda o sangue a retornar ao coração. Durante uma internação, especialmente quando o paciente permanece mais tempo no leito, essa circulação pode ficar mais lenta, favorecendo a formação de coágulos.

Nas cirurgias, outros elementos entram nessa equação. O porte e a duração do procedimento, a região operada e o tempo necessário para voltar a caminhar interferem no risco. Grandes cirurgias, traumas, fraturas e procedimentos que exigem períodos maiores de imobilização merecem atenção especial.

As condições individuais também importam. Histórico anterior de trombose, câncer, obesidade, tabagismo, idade e algumas doenças crônicas podem aumentar o risco.

“Dois pacientes submetidos a uma cirurgia semelhante podem ter riscos diferentes. Por isso, a prevenção não deve seguir uma fórmula única. Ela precisa partir da avaliação de cada pessoa”, afirma Caron.

Como o hospital avalia o risco?

A prevenção começa pela identificação dos fatores de risco. A equipe avalia tanto a possibilidade de trombose quanto o risco de sangramento antes de definir a conduta.

Essa segunda análise é importante porque uma das estratégias disponíveis é o uso de medicamentos anticoagulantes. Eles não são indicados automaticamente para todo paciente internado.

“Prevenir trombose não significa simplesmente prescrever anticoagulante. Primeiro precisamos saber quem realmente se beneficia dessa estratégia e se existe algum fator que aumente o risco de sangramento. A partir daí, escolhemos a conduta mais adequada”, explica o médico.

Como prevenir trombose durante a internação?

Sempre que as condições clínicas permitem, uma das medidas mais importantes é a mobilização precoce. Sair do leito e voltar a caminhar ajuda a restabelecer a circulação e faz parte da recuperação de muitos procedimentos. Manter uma hidratação adequada, conforme a orientação da equipe de saúde, também é importante durante esse período.

Dependendo do risco, outras estratégias podem ser adotadas, como métodos de compressão e medicamentos anticoagulantes em doses preventivas. Em determinados casos, essas medidas podem ser combinadas. A escolha não depende apenas do tipo de cirurgia. Estado clínico, mobilidade, risco de sangramento e histórico do paciente também entram na decisão.

“A melhor prevenção é aquela adequada ao risco. Há situações em que a mobilização tem papel central, enquanto outros pacientes precisam de medidas mecânicas ou de profilaxia medicamentosa. O importante é que essa decisão seja individualizada”, diz Caron.

Trombose também pode aparecer depois da alta

Deixar o hospital não significa que o risco desapareceu imediatamente. Dependendo da cirurgia e das condições do paciente, alguns cuidados precisam continuar em casa. Por isso, as orientações de alta são parte da prevenção. É importante seguir corretamente a prescrição médica, manter a movimentação conforme a liberação da equipe e observar sinais que possam indicar uma complicação.

Na trombose venosa profunda, podem surgir dor, inchaço, calor ou vermelhidão em uma das pernas. Já falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, palpitações ou desmaio podem estar relacionados à embolia pulmonar e exigem atendimento imediato.

“Depois de uma cirurgia, o paciente recebe orientações de acordo com o procedimento e com seu risco individual. Saber quais cuidados manter e reconhecer sinais de alerta também faz parte de uma recuperação segura”, reforça o médico.

A trombose, portanto, não é uma preocupação restrita às longas viagens. No ambiente hospitalar, identificar precocemente quem apresenta maior risco permite planejar a prevenção desde a internação e, quando necessário, mantê-la durante a recuperação em casa.

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